Urticária ao frio

A urticária ao frio, descrita pela primeira vez por Bourdon em 1866. É uma das cinco causas mais frequentes de urticária crônica, física, rara, sendo caracterizada por coceira, placas avermelhadas e inchaço após exposição ao frio (ar frio, banho com água fria, alimentos ou bebidas geladas).

A frequência tem variado em 5,2 e 33,8% dependendo do estudo e da região geográfica, com maiores incidências em locais de clima frio. É mais comum em mulheres (2:1), entre 20-30 anos. Está relacionado com história de atopia em 45% dos pacientes.

A fisiopatologia da urticária ao frio não está completamente esclarecida.

Pode ser classificada em adquirida idiopática (mais frequente), adquirida secundária e familiar (hereditária), que é muito mais rara e tem início na infância. A urticária ao frio adquirida secundária pode ser causada por infecções como hepatite, sífilis, HIV, entre outras.

As lesões (placas, coceira, inchaço) são limitadas ao local de contato com o frio, mas podem apresentar outros sintomas associados como dor de cabeça, falta de ar, queda da pressão arterial, diarreia, podendo ser fatal.

O diagnóstico é clínico. É importante, pois tem implicação direta na qualidade de vida do paciente. Pode ser confirmado pelo teste do cubo de gelo. Este teste consiste na aplicação de um cubo de gelo no antebraço do paciente durante 5 a 10 minutos. A leitura é realizada após 5-15 minutos, medindo a pápula e o aparecimento de coceira após a retirada do gelo. Em alguns casos, o teste pode ser negativo pois os sintomas ocorrem em determinadas condições ambientais. Nestes casos, pode-se mergulhar as mãos do paciente em água com gelo por 5-10 minutos, e observar, após o reaquecimento, o surgimento desta urticária. Mas não deve ser realizado pelo risco de anafilaxia.

O tratamento é evitar o contato com o frio, tratar a causa (infecções quando identificadas) e uso de medicações como anti-histamínicos.

Orientações para pacientes com urticária ao frio:

– Devem evitar o frio: evitar vento, chuva e neve;

– Evitar ambientes com ar condicionado;

– Usar roupas que evitem exposição ao frio;

– Hidratar a pele diariamente;

– Devem evitar mergulhar em águas geladas em piscinas, mar, cachoeiras ou rios; o ideal é mergulhar em água com temperatura adequada.

– Devem evitar consumir comidas ou bebidas geladas pelo risco de sufocar (edema de laringe)
O tempo de evolução da urticária ao frio é variável. A forma adquirida idiopática, dura cerca de cinco a dez anos, podendo persistir por mais tempo.

 

Bibliografia: Tavares S, Rocha F. , Clara Vieira1 , Selores M., Guedes M. , Teixeira F. Acta Pediatr Port 2010;41(6):259-61

França A.; Valle S. Urticária e Angioedema diagnóstico e tratamento. 2014. 3ª. Edição. Ed. Revinter

Sánches JM; Ramirez RH, Tamayo LM, Chincilla CF; Cardona R. Biomédica vol.31 no. 2 Bogotá Apr./June 2011